Documento sem título

"O Candomblé sobrevive até hoje porque não quer convencer as pessoas sobre uma verdade absoluta, ao contrário da maioria das religiões"; (Pierre Verger)
 MENU   
HOME  
ODÚS  
EBÓS  
REZAS  
VEJA TAMBÉM

Untitled Document
Atos do Candomblé

ATOS DO CANDOMBLÉ.

 

O candomblé é uma religião que teve como princípio a necessidade de passar seus fundamentos através da fala, não havendo nada escrito que pudesse esclarecer com riqueza os belíssimos atos ou cerimônias existentes. O fundamento era adquirido somente com a convivência da vida cotidiana de uma roça de candomblé. Como nossa memória é dotada de falha, entendemos que parte destes fundamentos possa ter se perdido com o passar dos tempos.

 

Abaixo descrevemos alguns dos principais atos ou cerimônias do candomblé, como segue:

 

IPADE

 

O Ipade é um ritual que antecede qualquer ritual do candomblé, normalmente conhecido pelos adeptos como o ato de despachar exu. Eu, Babalorixá Sérgio T´Odé não concordo com este termo, mas sim digo que é o ato onde rezas são feitas em uma determinada seqüência para o orixá Exú com o intuito de proteger a casa de candomblé e as pessoas.

Este ritual costuma ser realizado no período da tarde (exceto na cerimônia de Axexe) antes da chegada dos visitantes para a Festa de Candomblé.

São utilizadas algumas comidas ritualísticas, como o Pade de Exu (para saber mais sobre comida de santo, consulte este ícone em nosso portal), água e vela.

Aqui podemos chamar a atenção, pois há uma confusão do emprego da palavra Pade. Pade é a comida do orixá que também é utilizada no ato de Ipade, que é o ritual de colocar o exu como guardião do axé.

Após um ritual de dança e cânticos, os padés, a quartinha com água e a vela são levados para fora do barracão.  Somente após este ritual, pode-se dar continuidade aos demais rituais.

 

XIRE OU SIRE:

 

Xire é o ato de convidar todos os orixás a participarem da festa do candomblé. Seu significado em português é brincar.

No xiré os orixás serão reverenciados através de cânticos específicos e em idioma africano (ioruba). Com relação a alguns acharem que deveríamos ter cânticos em português, eu costumo dizer que já existe uma religião que cultua divindades em nosso idioma, que é a Umbanda.

Informamos que existem cânticos específicos a determinados orixás dentro do xiré que os convida a participarem da festa. Neste momento, os orixás começam a incorporarem seus filhos.

RUM DOS ORIXÁS.

 

A última parte da festa religiosa é o rum dos orixás, quando estes vestidos com suas roupas de gala e devidamente utilizando seus paramentos fazem atos em suas danças contando suas lendas.

 

BORI

 

O bori é um ritual que conhecemos como dar comida a cabeça. Esta expressão deve-se ao significado de bo + ori onde bo é comida ou oferenda e ori é a cabeça.

Na Africa o ori tem a mesma importância que um orixá. Ori é o Orixá mais importante de nossa cabeça. Portanto não devemos fazer nada sem antes cuidar do ori.

O ritual do Bori é muito complexo e por tratar-se de fundamento não o detalharei neste documento.

Basicamente podemos dizer que este ritual serve para quem vai iniciar-se na religião, quem necessita tomar grandes decisões, tirar o negativo, apaziguar o irá dos orixás, até para quem busca a paz ou harmonia interior, entre outras diversas possibilidades.

Abaixo transcrevemos a matéria retirada da Revista Orixás:

BORI

(Uma iniciação à religião, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais e passagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio)

           Da fusão da palavra bó, que em ioruba significa oferenda, com ori, que quer dizer cabeça, surge o termo bori, que literalmente traduzido significa “ Oferenda à Cabeça”. Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode – se afirmar que o bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu bori é ( Iésè órìsà ).

            Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu ori, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido suas próprias potencialidades. Odu é o caminho pelo qual se chega à plena realização de orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas do outro. Cada um, como ensina Orunmilá – Ifá, deve ser grande em seu próprio caminho, pois, embora se escolha o ori antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.

            Exu, por exemplo, nos mostra a encruzilhada, ou seja, revela que temos vários caminhos a escolher. Ponderar e escolher a trajetória mais adequada é tarefa que cabe a cada ori, por isso o equilíbrio e a clareza são fundamentais na hora da decisão e é por meio do bori que tudo é adquirido.

            Os mais antigos souberam que Ajalá é o orixá funfun responsável pela criação de ori. Dessa forma, ensinaram – nos que Oxalá sempre deve ser evocado na cerimônia de bori. Yemanja é a mãe da individualidade e por essa razão está diretamente relacionada a orí, sendo imprescindível a sua participação no ritual.

 

            A própria cabeça é síntese de caminhos entrecruzados. A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabem, muitas vezes, se configurando como sinônimos) começam no ori, que ao mesmo tempo apota para as quatro direções.

OJUORI – A TESTA

ICOCO ORI – A NUCA

OPA OTUM – O LADO DIREITO

OPA OSSI – O LADO ESQUERDO

Da mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, leste e oeste; o centro é a referencia, logo toda pessoa deve se colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os pontos cardeais: os caminhos a escolher e seguir. A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.

            Na África, ori é considerado um deus, alias, o primeiro que deve ser cultuado, mas é também, junto com o sopro da vida (emi) e o organismo (ese), um conceito fundamental para compreender os ritos relacionados a vida, como axexê (asesé). Nota – se a importância desses elementos, sobretudo o ori, pelos oriquis com que são evocados: 

O bori prepara a cabeça para que o orixá possa manifestar – se plenamente. Há um provérbio nagô que diz: Orí buru kó si orisá. É o bori que torna a cabeça ruim não tem orixá. É o bori que torna a cabeça boa. Entre as oferendas que são feitas ao ori algumas merecem menção especial. É o caso da galinha – d’angola, chamada nos candomblés de etum ou konkém, que é o maior símbolo de individuação e representa a própria iniciação. A etun é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do orixá. Ela já nasce com exu, por isso relaciona – se com começo e fim, com a vida e a morte, por isso está no bori e no axexê.

 

             O peixe representa as potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho. As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura. Flores, que aguardam a germinação, e frutas, os produtos da flor germinação, simbolizam fartura e riqueza.

 

            O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar. A noz cola, isto é, o obi é sempre o primeiro alimento oferecido a ori; é a boa semente que se planta e espera – se que dê bons frutos.

            Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranqüilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao ori de cada um eleger prioridades e, uma vez cultuado como se deve, proporciona-las aos seus filhos.

            NUNCA SE ESQUEÇA: ORIXÁ COMEÇA COM ORI.

 

FONTE: REVISTA ORIXÁ

BATISADO E CASAMENTO

 

Assim como as outras religiões o Candomblé também tem rituais de batismo e casamento. Percebemos que estes não são muito comuns em nossa comunidade, mas esperamos com esta informação, plantar uma pequena semente que possa reverter este quadro e futuramente vermos mais desses atos em nossa linda religião.

 


Copyrigth © - 2014 ::Casa de Candomblé Ile Axe Efon Ode Oju Okan ::

Av.Dom Pedro I nº 1976 - Balneário Itaguai -Mongaguá -SP

Fone: (13) 3506-2095